Se decidir seguir esse caminho, vai precisar inventar um novo modelo de desenvolvimento, que reconheça o uso racional dos recursos naturais e da biodiversidade, alerta o engenheiro do Inpe
Carla Almeida escreve de Campinas para o “JC e-mail” (em 16/jul/2008):
As mudanças climáticas são reais, inequívocas e estão acelerando. Em conferência realizada nesta terça-feira, na 60ª Reunião Anual da SBPC, em Campinas, Carlos Nobre, uma das grandes presenças no debate mundial sobre as mudanças climáticas, apresentou uma série de razões para o Brasil se preocupar com isto.
A principal delas está relacionada à biodiversidade brasileira, que, segundo Nobre, está entre as principais vítimas das alterações no clima terrestre. Segundo alerta feito pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mesmo considerando o melhor cenário de mudanças, com um aumento de temperatura entre 1,5 e 2º C, até 15% das espécies irão desaparecer.
Além disso, Nobre mencionou como prováveis efeitos das mudanças climáticas sobre o Brasil, a maior incidência de doenças tropicais, como a dengue, e a escassez de água no Nordeste, com prejuízos significativos para a agricultura da região e do país.
“O Brasil deve se preocupar sim, e nós temos uma responsabilidade muito grande.”
Assumir essa responsabilidade significa necessariamente promover o uso mais racional dos recursos naturais. “Não há outra alternativa”, disse Nobre, lembrando que o Brasil já tem metade de sua base energética movida a energias renováveis e que ainda não utiliza o potencial de sua biodiversidade.
“O Brasil tem todas as condições para se tornar o primeiro país tropical desenvolvido”, afirmou o pesquisador. Se decidir seguir esse caminho, o país vai precisar inventar um novo modelo de desenvolvimento. “Não existem modelos para o Brasil copiar. Por isso temos que inventar”.
Na contramão
Se por um lado o Brasil tem condições para se tornar uma potência ambiental, por outro, suas emissões vão na contramão de um modelo de desenvolvimento, quem dirá sustentável.
Segundo dados apresentados por Carlos Nobre, o uso da terra, lê-se desmatamento, responde por mais da metade das emissões brasileiras. Já a geração de energia, que em geral está atrelada ao desenvolvimento econômico, não responde nem por um quinto das emissões do país.
Ou seja, as emissões brasileiras não estão alimentando o crescimento econômico do país e nem aumentando a qualidade de vida de sua população, concluiu o pesquisador. “Esta talvez seja a grande tragédia brasileira na questão das emissões. É algo que precisa ser urgentemente corrigido.”
Nobre ressaltou a importância de essa discussão estar sendo feita no seio da comunidade científica, na Reunião da SBPC. Para ele, o maior desafio é “conciliar nossa necessidade de desenvolvimento com a sustentabilidade do planeta Terra.”
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11 years ago
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