Friday, June 13, 2008

Jornal da Ciência: Brasil favorece modelo de inovação aberta

Assunto será discutido na segunda-feira (16/6), em SP, durante o Open Innovation Seminar 2008, primeiro evento realizado no país totalmente dedicado à inovação aberta

O modelo de inovação aberta – aquela feita em parceria entre empresas ou entre empresas e instituições de pesquisa – encontrará terreno fértil no Brasil: a legislação é favorável, existem incentivos fiscais, as universidades são de boa qualidade e já há empresas que partilham seus projetos de inovação com parceiros externos, como a Natura, a Embraer e o Laboratório Cristália.

Este cenário será amplamente demonstrado no Open Innovation Seminar 2008, o primeiro evento realizado no País totalmente dedicado à inovação aberta. Ele ocorrerá na próxima segunda-feira, 16 de junho, em São Paulo, e terá a participação de Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia que cunhou a expressão “open innovation” e definiu seus conceitos – hoje empregados por empresas como HP, IBM e Procter & Gamble.

Após a palestra de Chesbrough haverá três mesas redondas, com a participação de empresários, acadêmicos, dirigentes de agências governamentais e gestores de inovação brasileiros.

Um deles será Roberto Lotufo, diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp, que participará das discussões sobre empreendedorismo e inovação aberta. “A Lei de Inovação [nº 10.793, de dezembro de 2004] abriu uma série de possibilidades para facilitar a parceria entre empresas e universidades no que tange a projetos de inovação”, observa Lotufo. “E as universidades estão se preparando para responder às demandas das empresas”.

Quem pode comprovar isso são empresas que praticam inovação aberta e que participarão do seminário: Natura, Cristália, Embraer, Embrapa e IBM. A Natura, por exemplo, conta com uma área específica para gestão de parcerias em inovação tecnológica, instituída em 2006.

“Nos dedicamos desde a formação das parcerias até a execução e acompanhamento dos projetos realizados com as instituições de pesquisa”, explica Sonia Tuccori, responsável pela área. A face pública do programa de inovação aberta da Natura é o portal Natura Campus, pelo qual a empresa explicita suas áreas de interesse e recebe da comunidade científica propostas de projetos.

“Em 2007 firmamos quinze novas parcerias a partir das propostas encaminhadas via Portal”, informa Sonia Tuccori. A meta da Natura é que 50% de suas pesquisas sejam realizadas em parceria com universidades; no final de 2007, elas eram 35%.

O laboratório Cristália também investe em inovação aberta a partir de parcerias com universidades, como USP, Unicamp, UFRJ e Universidade Federal do Amazonas. Junto com essas e outras instituições a empresa tem 25 projetos de pesquisa em andamento. Entre os temas em estudo estão o desenvolvimento de dois anti-retrovirais, um anticoagulante e uma substância que poderá proteger o coração contra infartos.

“Temos oito patentes já concedidas no Brasil e no exterior e cerca de 60 pedidos de patentes apresentados aos órgãos competentes, alguns ainda em fase de sigilo”, conta Ogari Pacheco, presidente do conselho diretor do Laboratório Cristália.

Patentes, aliás, são um ponto-chave no processo de inovação aberta. O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Jorge Ávila, observa que “a propriedade intelectual é o marco institucional que viabiliza a inovação aberta”.

Ávila estará na mesa-redonda “Open innovation e o sistema nacional de inovação”, em que ele vai mostrar que a propriedade intelectual “institui o mercado formal para o conhecimento e demais ativos intangíveis que circulam nos sistemas de inovação aberta”.

Outro ambiente propício à inovação aberta no Brasil são as incubadoras de empresas e os parques tecnológicos, revela o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Ary Plonski, também presente na mesa sobre empreendedorismo e inovação aberta.

“As incubadoras e parques certamente são elementos vitais para fazer com que a inovação aberta possa ocorrer; nas incubadoras, pela criação das pequenas empresas; nos parques tecnológicos, pela facilitação do contato entre grandes e pequenas empresas”, explica.

O Open Innovation Seminar 2008 será realizado no dia 16 de junho, das 9h às 19h, no World Trade Center, em São Paulo, SP (Av. Nações Unidas, 12.551). Mais informações e inscrições no site http://www.openinnovationseminar.com.br ou pelo fone (11) 4508-2755.
(Assessoria de Imprensa do evento)

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